Próstata aumentada (HPB)

Cirurgia a Laser da Próstata em Fortaleza — HoLEP, GreenLight e Rezūm

Prof. Dr. Ricardo Reges · Urologista · CRM-CE 10659 · RQE 3860
Cirurgia a Laser da próstata desde 2012 · Mais de cem procedimentos realizados

O problema, na língua do paciente

Levantar três, quatro vezes por noite para urinar. Jato fraco, que demora a começar. A sensação de que a bexiga nunca esvazia por completo. A vida organizada em volta do banheiro mais próximo.

Se você reconheceu esses sinais, saiba que eles têm nome — hiperplasia prostática benigna (HPB), o aumento benigno da próstata — e que atingem mais da metade dos homens acima dos 60 anos. Na maioria dos casos, o tratamento começa com medicamentos. Mas quando o remédio deixa de bastar, ou quando os efeitos colaterais pesam mais que o benefício, a cirurgia moderna da próstata é muito diferente da que o seu pai talvez tenha feito.

Hoje, as técnicas a Laser e minimamente invasivas permitem tratar a obstrução com menos sangramento, menos tempo de sonda e recuperação mais rápida — inclusive em próstatas muito volumosas e em pacientes que usam anticoagulantes.

Como funciona a cirurgia a Laser

Uma imagem ajuda: pense na próstata como uma laranja. Com o crescimento benigno, o miolo da laranja cresce e aperta o canal da urina que passa por dentro dela. A cirurgia a Laser remove esse miolo obstrutivo preservando a casca (a cápsula prostática) — tudo por dentro do canal da urina, sem nenhum corte externo.

Ilustração esquemática da enucleação a Laser da próstata: o adenoma é separado da cápsula, que é preservada
Ilustração esquemática, sem escala anatômica · finalidade educativa

Existem duas famílias de técnica a Laser, e a diferença importa:

Enucleação (HoLEP / ThuLEP) — o Laser descola e remove o miolo inteiro, em bloco. O tecido removido é enviado para análise patológica (biópsia completa do que foi retirado). É a técnica de escolha para próstatas grandes e o tratamento mais definitivo que existe: a chance de a obstrução voltar é a menor entre todas as opções.

Vaporização (GreenLight / PVP) — o Laser vaporiza o tecido obstrutivo, camada por camada, com selamento imediato dos vasos. Sangramento mínimo, o que a torna especialmente valiosa para pacientes que não podem suspender anticoagulantes.

E há uma terceira via, sem Laser:

Rezūm (vapor d’água) — injeções de vapor no tecido prostático, em procedimento rápido e ambulatorial, indicado para próstatas menores em pacientes que priorizam a preservação da ejaculação e um retorno quase imediato à rotina.

Qual técnica para qual caso

Não existe “a melhor técnica” — existe a técnica certa para a sua próstata, seus exames e sua história. Alguns dos critérios que orientam a decisão:

  • Volume da próstata: próstatas grandes (acima de ~80 g) favorecem a enucleação; volumes menores abrem espaço para vaporização ou Rezūm.
  • Uso de anticoagulantes: o Laser (em especial a vaporização GreenLight) permite operar com segurança pacientes que não podem suspender a medicação — estudos multicêntricos, incluindo o ensaio randomizado GOLIATH, demonstraram segurança comparável ou superior à cirurgia convencional, com taxas de transfusão desprezíveis mesmo em pacientes mantidos em antitrombóticos7·8.
  • Retenção urinária / uso de sonda: casos que já dependem de sonda tendem a se beneficiar da desobstrução mais completa (enucleação).
  • Prioridade na preservação ejaculatória: o Rezūm apresenta as maiores taxas de preservação; nas técnicas de remoção, a ejaculação retrógrada é frequente (explicada na seção seguinte).
  • Necessidade de análise do tecido: a enucleação fornece todo o tecido removido para o patologista.
Comparativo geral das técnicas: enucleação (HoLEP), vaporização (GreenLight) e Rezūm, por volume, sangramento, preservação ejaculatória e análise de tecido.
Qual técnica para qual caso — visão geral comparativa.

A técnica certa para o seu caso é definida na avaliação — com exame de imagem, avaliação do volume prostático e, quando indicado, estudo urodinâmico. É essa avaliação, e não a preferência por uma tecnologia, que define a indicação.

As duas perguntas que todo homem quer fazer

“Vou ficar incontinente?”

É a pergunta mais importante — e merece resposta com números, separando duas coisas diferentes:

Escape temporário (transitório): nas primeiras semanas após a enucleação, parte dos pacientes apresenta algum grau de escape — os estudos reportam tipicamente entre 8% e 17% dos casos, com a grande maioria recuperando o controle completo nos primeiros 3 meses; numa das maiores séries publicadas, quase 90% dos casos transitórios resolveram já nas primeiras 6 semanas1‑3. É parte esperada da recuperação: a bexiga e o esfíncter passaram anos trabalhando contra a obstrução e precisam de um período de readaptação. Fisioterapia do assoalho pélvico acelera essa fase quando indicada.

Incontinência definitiva (que persiste e requer tratamento): essa é rara — na ordem de 1,5% a 2,7% na literatura1·4. E mesmo nesses casos incomuns existe tratamento eficaz, incluindo o esfíncter urinário artificial nos casos graves — que é uma das subespecialidades do Dr. Ricardo Reges. Aqui, o compromisso com a sua continência não termina na cirurgia. Ver tratamento da incontinência →

“E a parte sexual?”

É importante separar duas coisas que costumam ser confundidas:

  • Ereção: os estudos das técnicas a Laser não mostram piora da função erétil atribuível à cirurgia; a disfunção erétil nova é incomum. No Rezūm, o ensaio clínico randomizado com 5 anos de seguimento não encontrou declínio clinicamente significativo da função erétil5·6.
  • Ejaculação: nas técnicas de remoção de tecido (enucleação, vaporização), a ejaculação retrógrada é frequente — o sêmen passa a ir para a bexiga em vez de sair, sem dor e sem alterar a sensação do orgasmo. Para homens em que a preservação ejaculatória é prioridade, o Rezūm apresenta as melhores taxas: no seguimento de 5 anos, os pacientes mantiveram ejaculação anterógrada, sem piora significativa dos escores ejaculatórios5·6.

Falar disso abertamente na consulta não é constrangimento — é parte do planejamento cirúrgico.

Como é a recuperação

Cada caso tem seu ritmo, mas o roteiro típico da cirurgia a Laser é este:

  • Internação: alta em 24–48 horas na maioria dos casos.
  • Sonda: retirada precoce — frequentemente em 24–48 horas.
  • Primeiros dias: ardência ao urinar e urgência são esperadas e transitórias; sangue diluído na urina pode aparecer e desaparecer nas primeiras semanas.
  • Retorno ao trabalho: atividades leves em poucos dias; esforço físico e atividade sexual, em geral, liberados entre 2 e 4 semanas.
  • Resultado: a melhora do jato costuma ser percebida de imediato; o padrão urinário segue refinando ao longo de semanas.
Linha do tempo típica da recuperação da cirurgia a Laser da próstata: D0, D2, semana 1 e semana 4.
Recuperação típica — do dia da cirurgia à quarta semana.

Por que o Dr. Ricardo Reges

Fatos, não adjetivos:

  • Cirurgia a Laser da próstata desde 2012 — mais de uma década de prática contínua, com mais de cem procedimentos realizados.
  • Formação internacional na técnica: BPH Laser Therapy — American Urological Association (2011); Current Trends in the Treatment of BPH — GreenLight, F. Brantley Scott Physician Academy, Houston, Texas (2012, 40h).
  • Entre os primeiros urologistas do Brasil a realizar a vaporização GreenLight, com participação no treinamento de dezenas de urologistas na América Latina na técnica.
  • Medalha Alberto Gentile (AMB/SBU) — concedida anualmente a um único residente de urologia no país; 1º lugar nacional no título de especialista da SBU (2007).
  • Doutorado em Cirurgia (UNICAMP) e pós-doutorado (UFC); Professor de Urologia da Universidade Federal do Ceará, com mais de 35 artigos publicados em periódicos como The Journal of Urology e International Brazilian Journal of Urology.
  • Membro internacional da American Urological Association desde 2012; ex-membro do Departamento de HPB da Sociedade Brasileira de Urologia.

Perguntas frequentes

A cirurgia dói?

É realizada sob anestesia (raqui ou geral, definida com o anestesista). No pós-operatório, o desconforto típico é ardência ao urinar nos primeiros dias, controlada com medicação simples.

Quantos dias fico internado?

Na maioria dos casos, 1 a 2 diárias. O Rezūm é ambulatorial.

Quando volto a dirigir e trabalhar?

Atividades leves e direção em poucos dias; trabalho de esforço físico, em geral, após 2 a 4 semanas.

A próstata pode voltar a crescer?

Após a enucleação, a recidiva da obstrução é rara — é a técnica com menor taxa de reoperação entre todas. Na vaporização e no Rezūm, o retratamento em longo prazo é possível (no Rezūm, cerca de 4,4% dos pacientes precisaram de novo procedimento em 5 anos), e isso entra na conversa sobre a escolha da técnica.

Preciso continuar o rastreamento de câncer de próstata depois?

Sim. A cirurgia de HPB trata a parte interna da próstata; a cápsula permanece, e o acompanhamento (PSA e exame) continua no ritmo adequado à sua idade e risco.

Tomo anticoagulante. Posso operar?

Frequentemente sim — essa é uma das principais vantagens do Laser. A conduta sobre a medicação é individualizada com o cardiologista.

O convênio cobre? Como funciona o particular?

As técnicas a Laser são realizadas em regime particular; a cobertura por planos de saúde depende de cada contrato e técnica, e orientamos a verificação caso a caso. Na consulta de avaliação, você recebe todas as condições com transparência, sem surpresas.

Existe idade limite?

Não há limite rígido de idade — a decisão considera o estado clínico geral, e o objetivo é justamente devolver qualidade de vida e sono em qualquer fase.

O primeiro passo

O primeiro passo não é escolher uma técnica — é uma avaliação completa: história, exames de imagem, volume prostático e, quando indicado, estudo urodinâmico. A partir dela, você recebe a indicação certa para o seu caso, com todas as opções na mesa.

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Referências científicas (9)
  1. Houssin V, et al. Stress urinary incontinence after HoLEP: incidence and risk factors. J Mens Health (2022) — SUI 7,3% em 1 mês; 2,6–2,7% persistente em 12 meses.
  2. Elzayat EA, et al. / Cho MC, et al. Transient urinary incontinence after HoLEP — TUI 16,6%, 80% recuperados em 3 meses. World J Mens Health (2015).
  3. Nevo A, et al. Stress urinary incontinence post-HoLEP: single-surgeon experience (589 pacientes). Int Braz J Urol (2020) — tSUI 8,8%, 88,5% resolvidos em 6 semanas; SUI persistente 1,5%.
  4. Yang M, et al. Meta-analysis of postoperative urinary incontinence in HoLEP. Ther Adv Urol (2024).
  5. McVary KT, et al. Preservation of sexual function 5 years after water vapor thermal therapy (Rezūm II RCT). Sex Med (2021).
  6. Rezūm II 5-year outcomes. J Urol (2021) — retratamento cirúrgico 4,4% em 5 anos.
  7. Bachmann A, Tubaro A, Barber N, et al. GOLIATH study: 180-W XPS GreenLight vs TURP. Eur Urol (2014).
  8. Estudos de PVP GreenLight em pacientes sob terapia antitrombótica — segurança com taxas de transfusão desprezíveis (Global GreenLight Group; séries multicêntricas).
  9. Systematic review — Rezūm: retratamento 4,4–7,5% em 5 anos. Sex Med Rev (2022).

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