Câncer de próstata

Cirurgia Robótica do Câncer de Próstata em Fortaleza

Prof. Dr. Ricardo Reges · Urologista · CRM-CE 10659 · RQE 3860
Uro-oncologia e cirurgia robótica · Subespecialista nas duas complicações mais temidas — continência e função sexual

O diagnóstico e a decisão

Receber o diagnóstico de câncer de próstata muda o chão. E quase imediatamente vem a segunda onda: as decisões. Operar ou não? Robótica? Radioterapia? Esperar e vigiar? Cada conhecido tem uma opinião, e a internet tem mil.

Duas informações para devolver o chão:

Na maioria dos casos, há tempo. O câncer de próstata localizado costuma permitir semanas para decidir com calma, ouvir uma segunda opinião e escolher bem — decidir bem vale mais do que decidir rápido.

E não existe um único tratamento certo — existe o certo para o seu caso. A cirurgia (prostatectomia radical) é uma das opções curativas para o câncer localizado; a radioterapia é outra; e, em tumores de muito baixo risco, a vigilância ativa — acompanhar de perto sem tratar de imediato — é conduta reconhecida pelas diretrizes. A avaliação honesta dessas rotas, com seus exames na mesa, é o começo de tudo.

O que é a cirurgia robótica

Primeiro, o que ela não é: o robô não opera ninguém. A prostatectomia radical robô-assistida é realizada pelo cirurgião, que comanda cada movimento a partir de um console — o sistema robótico traduz esses comandos em instrumentos milimétricos, com visão tridimensional ampliada em até dez vezes e movimentos mais precisos do que a mão humana consegue executar sozinha em espaço tão profundo e estreito quanto a pelve.

Na prática, isso significa: incisões pequenas em vez de um corte único, sangramento significativamente menor, internação mais curta e retorno mais rápido às atividades, com resultados oncológicos equivalentes aos da cirurgia aberta bem executada1. A precisão importa especialmente em dois momentos da cirurgia: a preservação dos feixes nervosos responsáveis pela ereção (quando o tumor permite) e a reconstrução da junção entre bexiga e uretra, decisiva para a continência.

Para quem a cirurgia é indicada

A indicação nasce do cruzamento de três coisas: o tumor (PSA, biópsia/Gleason, exames de imagem), o paciente (idade, saúde geral, expectativa de vida) e as prioridades dele. Em linhas gerais:

  • Câncer localizado de risco intermediário ou alto em paciente com boa expectativa de vida — cenário clássico da cirurgia.
  • Muito baixo risco — a vigilância ativa deve estar na conversa antes de qualquer tratamento, com a informação completa: ela exige compromisso duradouro com PSA regular, exames de imagem e biópsias periódicas — um acompanhamento que parte dos pacientes, com os anos, passa a sentir como um peso. Escolher vigiar também é uma decisão ativa.
  • Radioterapia — rota curativa legítima para muitos perfis. A conversa honesta inclui um dado que pesa na ordem das opções para alguns pacientes: se o tumor retornar após a radioterapia, a cirurgia de resgate é tecnicamente mais complexa e de maior morbidade do que a cirurgia como primeiro tratamento. Nenhum desses fatos decide sozinho — juntos, eles informam a decisão.
  • Idade e comorbidades — pesam na escolha entre cirurgia e radioterapia; não há resposta única.
  • Preservação nervosa — a decisão de preservar os feixes (uni ou bilateral) é feita caso a caso, equilibrando segurança oncológica e função sexual; é uma conversa explícita antes da cirurgia, não uma surpresa depois.

As duas perguntas que todo homem quer fazer

“Vou ficar incontinente?”

Os números da literatura: nas grandes séries de prostatectomia robótica, a recuperação da continência em 12 meses fica entre 84% e 97%2 — e séries reais reportam, aos 12 meses, cerca de 80–84% dos pacientes sem protetor ou com apenas um protetor de segurança3·4, com a recuperação evoluindo ao longo do primeiro ano. A idade e a preservação nervosa influenciam o ritmo5.

E para a minoria em que a incontinência persiste, este consultório tem uma particularidade: o tratamento — da fisioterapia ao esfíncter urinário artificial — é subespecialidade do próprio cirurgião. O compromisso com a sua continência não termina quando o PSA zera. Ver tratamento da incontinência →

“E a ereção?”

Resposta honesta: depende de três fatores — a função antes da cirurgia, a idade, e quanto de preservação nervosa o tumor permitiu. Com preservação bilateral em pacientes previamente potentes, os estudos mostram manutenção de relações satisfatórias em torno de 70–78% aos 12 meses; com preservação unilateral, os números caem substancialmente6. Os resultados são menos favoráveis em homens mais velhos ou com disfunção erétil prévia — e essa expectativa individualizada é conversada antes, não depois. A recuperação é gradual (meses, não semanas) e frequentemente apoiada por medicação no primeiro ano.

E, de novo, o ciclo completo: para quem não recupera função satisfatória, a escada de tratamento — do medicamento à prótese peniana — é conduzida aqui, por quem dirigiu o Departamento de Sexualidade da Sociedade Brasileira de Urologia por quase uma década. Ver função sexual →

Como é a recuperação

  • Internação: tipicamente 1–2 diárias.
  • Sonda vesical: por cerca de uma a duas semanas, retirada em consultório.
  • Dor: as incisões pequenas tornam o pós-operatório notavelmente mais confortável que o da cirurgia aberta; analgesia simples costuma bastar.
  • Atividades: caminhadas desde os primeiros dias; retorno ao trabalho leve em torno de 15 dias; esforço físico após 4–6 semanas.
  • Fisioterapia do assoalho pélvico: começa cedo e acelera a continência.
  • PSA de controle: o primeiro é colhido por volta de 90 dias após a cirurgia; o seguimento é programado desde a alta.

Por que o Dr. Ricardo Reges

Fatos, não adjetivos:

  • Formação em uro-oncologia na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), um dos centros formadores de referência do país, com publicações em cirurgia oncológica complexa — incluindo tumores renais com trombo de veia cava7.
  • Certificação na plataforma robótica pelo programa da Intuitive no Hospital Israelita Albert Einstein (São Paulo); prática robótica com agenda cirúrgica semanal regular no Hospital São Camilo, em Fortaleza — tendo a prostatectomia radical como o procedimento mais realizado.
  • Linha de pesquisa ativa em câncer de próstata: orientação de doutorado sobre os efeitos da terapia de privação androgênica (UFC), com resultados apresentados em periódicos internacionais8.
  • Professor de Urologia da Universidade Federal do Ceará; doutorado (UNICAMP) e pós-doutorado; membro internacional da American Urological Association desde 2012.
  • A particularidade que fecha o ciclo: subespecialização nas duas principais sequelas funcionais (esfíncter artificial — formação na F. Brantley Scott Academy, Houston; prótese peniana), o que significa acompanhamento integral, do diagnóstico à reabilitação completa.

Perguntas frequentes

Robótica é melhor que cirurgia aberta?

Em resultados oncológicos, as técnicas bem executadas são equivalentes. As vantagens consistentes da robótica são perioperatórias — menos sangramento, menos dor, internação e recuperação mais curtas — e a precisão que ela dá ao cirurgião nos passos delicados. A experiência do cirurgião pesa mais que a plataforma.

Quanto tempo entre a decisão e a cirurgia?

Há tempo para decidir bem — e a ciência atualizou essa resposta. A recomendação clássica de aguardar 6 a 8 semanas após a biópsia não é mais obrigatória na era robótica: uma meta-análise com mais de 8.500 pacientes mostrou que o intervalo biópsia–cirurgia não impactou nenhum desfecho da prostatectomia robótica, sendo segura mesmo em 2 a 6 semanas. No outro extremo, também não convém procrastinar: em tumores de alto risco, adiar a cirurgia por mais de 6 meses associou-se a pior controle da doença. O equilíbrio: semanas para exames completos e segunda opinião são bem-vindas; meses de adiamento, especialmente no alto risco, não.

O robô pode falhar durante a cirurgia?

Falhas são raríssimas e os protocolos preveem a conversão segura da cirurgia. O cirurgião está no comando o tempo todo.

E se a biópsia da peça mostrar algo diferente?

A análise da peça inteira (patologia definitiva) refina o estadiamento. Em parte dos casos ela muda o plano de seguimento — é para isso que ela existe, e o resultado é discutido com você em consulta.

Vou precisar de radioterapia depois?

Na maioria, não. Em cenários específicos (margens, características da peça, evolução do PSA), a radioterapia complementar entra como aliada — a indicação é individualizada e discutida abertamente.

A ejaculação continua depois da cirurgia?

Não — a prostatectomia radical remove as estruturas que produzem o sêmen; o orgasmo é preservado, mas sem ejaculação. É diferente da cirurgia de HPB e importa para quem deseja filhos: a preservação de fertilidade (banco de sêmen) deve ser conversada antes.

Convênio cobre? Como funciona o particular?

Os honorários médicos desta equipe são em regime particular, apresentados por escrito na avaliação, antes de qualquer decisão. Em muitos casos, as despesas hospitalares podem correr pelo seu plano de saúde, conforme o seu contrato e a rede credenciada — orientamos esse caminho na consulta. E se a sua preferência for realizar a cirurgia integralmente pelo plano, indicamos com tranquilidade colegas de referência credenciados: a escolha certa é a que atende você, e ela é sua.

O primeiro passo

Traga seus exames — PSA, biópsia, ressonância se houver. A primeira consulta é uma leitura honesta do seu caso e de todas as rotas, incluindo as que não passam por cirurgia. A decisão é sua; o mapa completo é obrigação nossa.

Referências científicas (10)
  1. Coughlin GD, et al. / Yaxley JW, et al. RCT robot-assisted vs open radical prostatectomy — desfechos oncológicos e funcionais equivalentes em 24 meses. Lancet Oncol (2018); revisões sistemáticas correlatas.
  2. Ficarra V, et al. Systematic review and meta-analysis of studies reporting urinary continence recovery after RARP. Eur Urol (2012) — continência em 12 meses: 84–97%.
  3. Coorte real (n=375): continência (zero protetores) 83,5% em 12 meses. Int J Urol (2024).
  4. Série em ≥75 anos: continência funcional 83,3% em 12 meses (63,9% zero protetores + 19,4% protetor de segurança). IUC (2024).
  5. Coorte 650 pacientes, 4 anos: preservação nervosa e idade como determinantes da continência precoce e tardia. BMC Urol (2020).
  6. Séries de potência pós-RARP: manutenção de relações satisfatórias em 12 meses ~77,6% com preservação bilateral vs ~34,4% unilateral, em pacientes previamente potentes. BJU Int (2014); meta-análise de RCTs RARP vs LRP com vantagem de potência para RARP. Eur Urol (2023).
  7. Denardi F, Reis LO, Oliveira RRM, Ferreira U. Renal tumor with inferior vena cava thrombus: surgical approach and prognosis. Actas Urol Esp (2009); Reges R, et al. Primary leiomyosarcoma of the inferior vena cava. Int J Urol (2008).
  8. Cintra AR, …, Reges R. Androgen deprivation therapy — endothelial function and metabolic parameters (série prospectiva). J Sex Med (2023–2024).
  9. Zhang et al. Does time interval between prostate biopsy and surgery affect outcomes of radical prostatectomy? Systematic review and meta-analysis (9 estudos, 8.579 pacientes). World J Urol (2019) — sem impacto do intervalo nos desfechos da via robótica; segura em 2–6 semanas. Série coreana (n=1.446): RALP em ≤2, ≤4 ou ≤6 semanas sem prejuízo cirúrgico ou oncológico. Int J Urol (2016).
  10. Coorte de 7.350 prostatectomias: em alto risco, aguardar >6 meses associou-se a maior recorrência bioquímica (HR 3,38). Urol Oncol / J Urol (2019).

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