Próstata aumentada (HPB) · técnica minimamente invasiva

EchoLASER: Ablação da Próstata a Laser Sem Cortes, com Anestesia Local

Prof. Dr. Ricardo Reges · Urologista · CRM-CE 10659 · RQE 3860
Tratamento minimamente invasivo da hiperplasia prostática benigna (HPB)

Para quem esta técnica existe

Há homens com próstata aumentada para quem a cirurgia convencional pesa demais — pela saúde, pela idade, pelos anticoagulantes que não podem parar, pelo medo da anestesia geral. E há os que poderiam operar, mas têm uma prioridade inegociável: preservar a ejaculação. Durante anos, esses dois grupos ficaram entre o remédio que já não basta e uma cirurgia que não cabia.

A ablação transperineal a Laser (TPLA, realizada com o sistema EchoLASER) nasceu exatamente para esse espaço: um procedimento sem cortes, sem passar instrumentos pelo canal da urina, realizável com anestesia local — em regime ambulatorial na maioria dos casos.

Como funciona

O princípio é elegante: fibras de Laser finíssimas — da espessura de um fio de cabelo grosso — são introduzidas através da pele do períneo (a região entre o escroto e o ânus) por agulhas finas, guiadas em tempo real por ultrassom. Dentro da próstata, a energia do Laser aquece e desativa (necrose de coagulação) o tecido que obstrui, a uma distância de segurança da uretra e do colo da bexiga, calculada pelo sistema de planejamento do próprio equipamento1.

Nas semanas seguintes, o organismo reabsorve o tecido tratado e a próstata diminui — nos estudos com seguimento de 12 meses, a redução do adenoma (a parte que obstrui) chegou a ~58%2, com o canal urinário respirando de novo.

O que NÃO acontece: nenhum corte, nenhuma passagem de aparelho pela uretra, nenhuma remoção imediata de tecido — e, na maioria dos protocolos, nenhuma anestesia geral.

O que dizem os estudos

Transparência sobre a evidência — o que já se sabe e o que ainda está em construção:

O que os estudos mostram (seguimento de até 12 meses):

  • Melhora significativa dos sintomas: nas séries publicadas, o escore de sintomas (IPSS) caiu de forma expressiva — numa coorte real de 53 pacientes, a mediana foi de 30 para 13 pontos, com o jato urinário (Qmax) subindo de 5,5 para 13 ml/s2.
  • Preservação ejaculatória como marca da técnica: séries reportam ejaculação anterógrada preservada na totalidade ou quase totalidade dos pacientes sexualmente ativos (85–100%)3·4 — o melhor perfil entre os tratamentos que efetivamente reduzem a próstata. A função erétil permanece estável2.
  • Segurança: procedimentos sob anestesia local, sem complicações maiores nas séries publicadas2·3·4, viabilidade demonstrada inclusive em consultório/ambulatório5.

O que a honestidade exige dizer:

  • É uma técnica recente — a evidência robusta é de curto e médio prazo (12 meses); resultados de longo prazo e taxas de retratamento em 5+ anos ainda estão sendo construídos pela literatura.
  • A melhora é progressiva, não imediata: o tecido leva semanas para ser reabsorvido; parte dos pacientes usa sonda temporária no pós-operatório, e retenção urinária transitória pode ocorrer nesse período4.
  • Não é para todos: próstatas muito volumosas, casos com retenção crônica ou anatomias específicas tendem a se beneficiar mais da enucleação. A seleção correta do paciente é o que separa o bom resultado da frustração — e é feita na avaliação, não no catálogo.

E para câncer de próstata?

Pergunta inevitável para quem pesquisou a tecnologia: o EchoLASER também aparece em publicações internacionais como terapia focal para câncer de próstata. A resposta honesta e direta: no Brasil, o uso oncológico é considerado experimental e não é oferecido neste consultório fora de protocolos de pesquisa. Nesta página, e nesta prática, o EchoLASER é tratamento da hiperplasia benigna — ponto.

Se o seu caso é câncer, o caminho é outro: avaliação uro-oncológica completa e a conversa aberta sobre as rotas estabelecidas — cirurgia, radioterapia, vigilância ativa.

Como é o procedimento e a recuperação

  • Duração: em torno de 30–40 minutos nas séries publicadas3.
  • Anestesia: sedação leve associada à anestesia local.
  • Alta: na maioria dos casos, no mesmo dia; pacientes idosos ou com comorbidades permanecem 24 horas em observação.
  • Sonda: todos os pacientes saem com sonda vesical, removida em consultório em torno de 7 dias.
  • Sintomas: melhora progressiva ao longo de semanas, à medida que o tecido tratado é reabsorvido — diferente da desobstrução imediata da enucleação; a expectativa certa evita a ansiedade errada.
  • Retorno às atividades: atividades leves em cerca de 10 dias, com retomada gradual do ritmo normal.

Por que aqui

Fatos, não adjetivos:

  • Técnica incorporada à prática em junho de 2026, com os primeiros procedimentos realizados em ambiente de hospital universitário — o Hospital Universitário Walter Cantídio (UFC), onde o Dr. Ricardo Reges é professor de urologia. A adoção dentro da estrutura acadêmica reflete o critério com que novas tecnologias entram nesta prática: avaliação rigorosa antes, seleção criteriosa sempre.
  • A técnica não chegou aqui isolada: ela se soma a mais de uma década de cirurgia a Laser da próstata (GreenLight desde 2012, enucleação, formação em Houston e na AUA) — o que importa, porque a força do EchoLASER está na seleção de quem se beneficia dele, e critério de seleção se constrói dominando todas as alternativas. Quem só tem um martelo vê pregos; aqui, a caixa de ferramentas está completa.
  • Professor de Urologia da UFC, doutorado (UNICAMP), pós-doutorado; autor do livro “Avaliação Urodinâmica e suas Aplicações Clínicas” — a avaliação que define se esta técnica é a certa para você.

Perguntas frequentes

Dói?

No protocolo desta prática, o procedimento é feito com sedação leve associada à anestesia local — o desconforto relatado é baixo. No pós-operatório, sintomas urinários transitórios são esperados enquanto o tecido é reabsorvido.

Em quanto tempo sinto melhora?

Diferente das técnicas que removem tecido na hora, aqui a melhora é progressiva: começa nas primeiras semanas e segue evoluindo por 3 a 6 meses, conforme a próstata reduz.

A ejaculação é preservada mesmo?

É a marca da técnica: nas séries publicadas, a ejaculação foi preservada na totalidade ou quase totalidade dos pacientes. Nenhuma técnica garante resultado individual — mas nenhuma outra que reduza efetivamente a próstata tem perfil ejaculatório melhor.

Tomo anticoagulante. Posso fazer?

O perfil minimamente invasivo (agulhas finas, sem ressecção) torna a técnica particularmente interessante para quem não pode suspender antitrombóticos — a decisão é sempre compartilhada com o seu cardiologista.

Posso precisar de outro tratamento no futuro?

Possivelmente — como em toda técnica que preserva a próstata, o retratamento em longo prazo não está descartado, e os dados de 5+ anos ainda estão sendo produzidos. Isso é dito antes, não descoberto depois.

Por que quase ninguém oferece isso?

Porque a técnica é recente, exige equipamento dedicado e treinamento específico em ablação guiada por imagem. A adoção no Brasil está começando — e a seleção criteriosa de pacientes é mais importante do que a novidade.

Convênio cobre?

Não — o EchoLASER para HPB não possui cobertura pelos planos de saúde, sendo realizado exclusivamente em regime particular. As condições completas são apresentadas por escrito na avaliação, incluindo as alternativas que possuem cobertura pelo seu plano, quando indicadas para o seu caso — para que a escolha seja livre e bem informada.

O primeiro passo

Esta técnica é excelente — para o paciente certo. Descobrir se você é esse paciente exige avaliação: volume prostático, exames, prioridades suas. Se for, você sai com o plano; se não for, sai sabendo exatamente qual técnica serve melhor ao seu caso — e por quê.

Referências científicas (5)
  1. Pacella CM, et al. Transperineal interstitial Laser ablation of the prostate (SoracteLite/EchoLaser): técnica e resultados funcionais. Eur Urol Open Sci / Minerva Urol (2020) — IPSS −13,1 em 6 meses; anestesia local; alta em 24h.
  2. Coorte real 53 pacientes, 12 meses: IPSS mediana 30→13; Qmax 5,5→13 ml/s; redução de volume do adenoma 58,3%; função erétil estável; melhora ejaculatória (MSHQ). J Clin Med (2025).
  3. Série EchoLaser 38 pacientes: procedimento mediano 31 min; ambulatorial; ejaculação preservada em todos os pacientes ativos; sem complicações Clavien-Dindo ≥2. Front Urol (2022).
  4. Estudo piloto multicêntrico prospectivo (n=20), 12 meses: IPSS 21,3→10,9; ejaculação anterógrada preservada em 85%; retenção transitória com sonda temporária em parte dos casos; sem eventos adversos do dispositivo. BJUI Compass (2023).
  5. Programa office-based sob anestesia local — viabilidade e segurança em consultório. ClinicalTrials NCT04760483; séries AUA (2025–2026).

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