Sequelas de cirurgia de próstata
Incontinência Urinária e Disfunção Erétil Após Cirurgia de Próstata: Existe Tratamento
Prof. Dr. Ricardo Reges · Urologista · CRM-CE 10659 · RQE 3860
Subespecialista em reconstrução funcional pós-prostatectomia — esfíncter urinário artificial e prótese peniana
Para quem é esta página
A cirurgia tratou o câncer. O PSA zerou. Todos dizem que deu tudo certo — e deu. Mas ninguém preparou você para conviver com o escape de urina ao levantar da cadeira, ou para o fim da vida sexual que parecia não ter volta.
Se essa é a sua história, duas coisas precisam ser ditas com clareza:
Você não está sozinho. A incontinência e a disfunção erétil são as sequelas funcionais mais comuns do tratamento do câncer de próstata — em séries publicadas, cerca de 1 em cada 4 homens ainda usa protetores 12 meses após a prostatectomia radical1, e a disfunção erétil atinge a maioria dos operados em algum grau2. Não é falha sua, e frequentemente não é falha de ninguém: é o custo funcional que a doença impõe, mesmo quando a cirurgia oncológica — aqui ou em qualquer serviço — foi bem executada.
E, principalmente: existe tratamento. Para os dois problemas. Com resultados documentados há décadas na literatura mundial. A maioria dos homens simplesmente nunca foi informada disso — e passa anos administrando absorventes e evitando intimidade sem saber que há solução.
Esta página existe para corrigir essa lacuna de informação.
O caminho da continência
O tratamento da incontinência pós-prostatectomia é uma escada — começa pelo degrau mais simples e só sobe se necessário:
1. Fisioterapia do assoalho pélvico. Primeiro passo em praticamente todos os casos, especialmente no primeiro ano, quando a recuperação espontânea ainda acontece. Muitos homens resolvem aqui.
2. Sling masculino. Para incontinências leves a moderadas persistentes: uma faixa de suporte implantada sob a uretra em cirurgia de curta duração. O Dr. Ricardo Reges trabalha com essa técnica desde os anos 2000, com trabalhos publicados sobre resultados de longo prazo3.
3. Esfíncter urinário artificial. O padrão-ouro mundial para incontinência moderada a grave4. Um dispositivo implantado que reproduz a função do esfíncter natural: um manguito suave envolve a uretra e o próprio paciente o controla por uma bomba discreta. Nas séries publicadas, a grande maioria dos pacientes alcança a chamada continência social (no máximo um protetor leve por dia), com satisfação acima de 80–90%4‑6. A maior série brasileira publicada — 121 pacientes em centro oncológico de referência — encontrou continência adequada em 87,6% dos casos no longo prazo6.
Como todo dispositivo implantável, o esfíncter tem manutenção: revisões podem ser necessárias ao longo dos anos (cerca de 20% na série brasileira6), e a conversa honesta sobre isso faz parte da avaliação. Radioterapia prévia é um fator que exige planejamento adicional6.
O que define o degrau certo: o grau da perda (quantos protetores/dia), o tempo desde a cirurgia, radioterapia prévia e a avaliação urodinâmica — o exame que mede objetivamente o comportamento da bexiga e do esfíncter.
O caminho da função sexual
A mesma lógica de escada, honesta sobre cada degrau:
1. Medicamentos orais (inibidores de fosfodiesterase). Primeira linha — mas após a prostatectomia radical, a resposta depende do grau de preservação dos nervos, e uma parte significativa dos homens não responde2.
2. Injeções intracavernosas e dispositivos a vácuo. Segunda linha, eficaz para muitos; exige adaptação e constância.
3. Prótese peniana. Para quem não respondeu ou não se adaptou às linhas anteriores, é o tratamento definitivo — e o mais bem avaliado pelos próprios pacientes em toda a medicina sexual: as taxas de satisfação nas séries publicadas ficam consistentemente acima de 84–90%7‑9, com confiabilidade mecânica de 92–94% dos dispositivos em anos de uso9. Nos modelos infláveis de três volumes, a ereção e a flacidez se aproximam do estado natural — o dispositivo é invisível externamente.
A prótese não recupera a ejaculação nem altera a sensibilidade ou o orgasmo — ela devolve a rigidez, e com ela a espontaneidade que as outras linhas não oferecem. A escolha do modelo (inflável ou maleável) é individualizada na consulta.
Por que tratar aqui
Fatos, não adjetivos:
- Formação internacional específica no esfíncter urinário artificial: AMS 800 Artificial Urinary Sphincter — F. Brantley Scott Physician Academy, Houston, Texas (2011, 40h) — a academia que leva o nome do criador do dispositivo.
- Duas décadas de prática em cirurgia reconstrutiva funcional: publicações sobre sling masculino e incontinência pós-prostatectomia desde 20053; orientação de pesquisas acadêmicas sobre o esfíncter urinário artificial.
- Diretoria do Departamento de Sexualidade da Sociedade Brasileira de Urologia (2009–2018) — quase uma década à frente do tema no país.
- Autor do livro “Avaliação Urodinâmica e suas Aplicações Clínicas” (Atheneu, 345 p.) — a avaliação que define a indicação correta do seu tratamento.
- Professor de Urologia da Universidade Federal do Ceará; doutorado (UNICAMP) e pós-doutorado; expertise reconhecida por centros de referência internacionais em reconstrução urológica.
- Experiência no implante de prótese peniana inflável, com atuação em programas de educação médica em restauração erétil ao lado de referências internacionais da área.
Perguntas frequentes
Faz quanto tempo que operei — ainda dá tempo de tratar?
Sim. Não existe prazo de validade: homens tratam incontinência e disfunção erétil anos, às vezes décadas, após a prostatectomia. O que muda com o tempo é apenas a expectativa de recuperação espontânea (maior no primeiro ano).
Fiz radioterapia. Posso implantar o esfíncter?
Frequentemente sim — a radioterapia prévia não contraindica, mas aumenta o cuidado necessário no planejamento e o acompanhamento. É uma das razões pelas quais a avaliação individualizada importa.
O esfíncter artificial é difícil de usar?
Não — o controle é uma bomba pequena, implantada, acionada com dois dedos. A destreza necessária é mínima e treinada antes da ativação do dispositivo.
A prótese peniana é perceptível?
Externamente, não. Nos modelos infláveis, o pênis flácido tem aparência natural; a ereção é acionada quando o paciente quiser.
Posso tratar a incontinência e a disfunção erétil ao mesmo tempo?
Embora o implante simultâneo seja descrito na literatura, a conduta adotada aqui é em dois tempos: primeiro a correção da continência — incluindo queixas como a climactúria, o escape de urina durante o orgasmo —, e em um segundo momento o tratamento da função erétil. A sequência protege o resultado de cada etapa e permite ajustar o plano ao que a primeira correção devolver de qualidade de vida.
Convênio cobre?
Os tratamentos cirúrgicos com dispositivos implantáveis são realizados, neste consultório, em regime particular. Todas as condições — honorários, o que está e o que não está incluído — são apresentadas por escrito, com transparência, na avaliação e antes de qualquer decisão. Sendo beneficiário de plano de saúde, você pode verificar junto à sua operadora os direitos de cobertura pela rede credenciada — informação que também prestamos na consulta, para que a sua escolha seja livre e bem informada.
Qual o primeiro passo?
A avaliação: história detalhada, exame físico e, quando indicado, estudo urodinâmico. Dela sai o degrau certo da escada — nem mais, nem menos do que o seu caso precisa.
O primeiro passo
Conviver com absorventes ou abrir mão da vida íntima não é o preço obrigatório de ter vencido um câncer. O primeiro passo é uma conversa — sem constrangimento, com um especialista que dedicou a carreira exatamente a isso.
Referências científicas (9)
- Penson DF, et al. / NEJM series — 24% dos homens usando protetores 12 meses após prostatectomia radical (n=557).
- Revisões de disfunção erétil pós-prostatectomia — falha em recuperar função basal em 77–90% no primeiro ano em séries selecionadas; maioria dos operados afetada em algum grau. Int Urol reviews.
- Publicações do autor sobre sling masculino: D’Ancona C, Reges R, Palma P, Netto NR Jr. Evaluation of Male Sling and Health-Related Quality of Life for Stress Urinary Incontinence: Are the Long Term Results Maintained? Eur Urol Suppl (2007); D’Ancona C, Oliveira RRM. Sling masculino: quando indicar e quando não indicar. Urologia Contemporânea (2008); Oliveira RRM, et al. Incontinência urinária no homem: resultados a longo prazo do tratamento pela técnica de sling (2005).
- James MH, McCammon KA. Artificial urinary sphincter for post-prostatectomy incontinence: a review. Int J Urol (2014) — padrão-ouro; satisfação >80%.
- Montague DK. Artificial urinary sphincter: long-term results and patient satisfaction. Adv Urol (2012).
- Série brasileira single-center, 121 pacientes, centro oncológico de referência. Int Braz J Urol (2018) — continência adequada 87,6%; revisão 19,8%; radioterapia como fator de risco.
- Revisões IPP pós-prostatectomia — satisfação 84–100%. Int J Impot Res (2025); Investig Clin Urol (2022) — satisfação >90%, IIEF-5 de 8,2 → 20,6.
- Systematic review — implante simultâneo de prótese peniana + dispositivo anti-incontinência. Int J Impot Res (2025).
- Revisão de confiabilidade mecânica dos dispositivos infláveis — 92–94% livres de falha mecânica. PMC review.
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